Lâmpadas compactas são mais baratas e ecológicas… Será?

O governo brasileiro pretende retirar do mercado as lâmpadas incandescentes até 2016, em favor das lâmpadas fluorescentes compactas. As alegações para esse movimento são as seguintes:

  1. As lâmpadas fluorescentes compactas são mais econômicas;
  2. As lâmpadas fluorescentes compactas duram 20 ou 30 vezes mais;
  3. As lâmpadas fluorescentes compactas são mais ecológicas.

Vamos fazer um exercício mental simples e tentar investigar a verdade por trás de cada uma dessas alegações:

Uma avaliação sobre o consumo absoluto de energia de cada uma das lâmpadas, com certeza torna evidente que uma lâmpada compacta de 25 W fornece a mesma quantidade de luz de uma lâmpada incandescente de 100 W (dependendo do comprimento de onda da luz emitida pela fluorescente), considerando uma lâmpada de 6500 K (veja as especificações da lâmpada na embalagem para saber o que é isso).

Isso seria ótimo, não fosse por um detalhe: O problema energético brasileiro não está no consumo residencial. O problema energético brasileiro está na falta de investimento em infraestrutura da rede de distribuição e em usinas de geração de energia. Além disso, o maior consumidor de energia elétrica no Brasil é a Indústria, depois o governo e o comércio. No final da fila está o consumidor residencial. Além disso, as lâmpadas fluorescentes compactas são de 10 a 20 vezes mais caras do que as incandescentes, o que nos leva à segunda alegação.

Uma lâmpada incandescente é projetada para durar 1500 horas no máximo. Sim, no máximo!!!! Existe um acordo internacional, do início do século XX, entre fabricantes de lâmpadas, que exige que os fabricantes coloquem um limite na vida útil delas para forçar a queima e obrigar a recompra do produto. Isso está documentado no filme “Obsolescência programada“, disponível no Youtube. Empresas do antigo bloco comunista, que fabricavam lâmpadas que duravam até 25 anos foram tiradas do mercado com a queda da União Soviética. O cartel de fabricantes de lâmpadas continua forte e atuante após um século. Existe uma lâmpada, fabricada no final do século XIX, nos EUA que está em funcionamento até hoje. Portanto, a questão da durabilidade da lâmpada incandescente não é uma questão técnica, é política. Por outro lado, os mesmos fabricantes de lâmpadas incandescentes também fabricam as fluorescentes compactas. Alegam que duram mais, mas minha experiência diz que não. Elas são mais complexas, utilizam componentes eletrônicos sensíveis que costumam falhar muito antes das alegadas 30 mil horas. Em minha residência, o tempo entre a troca de uma lâmpada fluorescente compacta por outra é semelhante ao das lâmpadas incandescentes. Só esse fato já torna a lâmpada compacta inviável para o consumidor residencial.

Mas há uma terceira alegação: a questão ecológica. Lâmpadas incandescentes são feitas de vidro, aço, tungstênio, uma resina plástica resistente à temperatura e um gás inerte. Nada que não seja facilmente reciclável, nem nada que seja extremamente prejudicial à saúde. Já, lâmpadas fluorescentes compactas são feitas de uma série de produtos com ingredientes tóxicos e agressivos ao meio ambiente, como mercúrio. É extremamente difícil reciclar esse tipo de lâmpada. Além disso, na grande maioria delas, o que queima é o circuito eletrônico que fica escondido no compartimento plástico na base da lâmpada. Isso significa que a maioria delas poderia ser reutilizada apenas consertando-se ou substituindo-se essa parte. No entanto, todas elas, independente se o problema é no circuito, ou no próprio tubo, têm o mesmo destino: o lixo. Em alguns lugares o descarte no lixo comum desse tipo de lâmpada é proibido, o que gera uma enorme demanda por uma logística reversa que dê um encaminhamento para esse tipo de lixo. Em resumo: as chamadas “lâmpadas ecológicas” são mais um problema do que uma solução.

Além disso, as lâmpadas compactas possuem dois agravantes: emitem luz ultravioleta, prejudicial à saúde, e induzem ruídos de alta frequência na rede elétrica que podem danificar aparelhos eletrônicos.

A conclusão que chego é que, o governo, para tentar ganhar tempo pela falta de investimento em infraestrutura e para agradar o cartel de fabricantes de lâmpadas está jogando o ônus da substituição  inútil das lâmpadas incandescentes, pelas fluorescentes compactas para a população, apelando para argumentos que sensibilizam as pessoas, ao mesmo tempo que são falsos. Isso gerará um aumento nos gastos com energia, apesar do fato das compactas consumirem menos energia, porque obrigará as pessoas a comprarem lâmpadas muito mais caras que supostamente duram mais, mas não duram. Também gerará um grande problema ecológico porque a reciclagem das lâmpadas fluorescente exige um processo de logística reversa e separação de componentes muito mais caro e complexo.

Por fim, resta perguntar: quem ganha com a substituição das incandescentes pelas fluorescentes compactas? Ganham os fabricantes de lâmpadas que venderão seu produto por mais de 10 vezes o preço que vendem hoje. Ganha o governo que diminui o consumo de energia das residências, mas não precisa investir em infraestrutura por algum tempo a mais. E perde a população que terá mais um problema pra resolver, que não foi ela quem criou, mas que afeta a todos.

É bom que comecemos a pensar criticamente ao invés de aceitar as coisas como elas chegam. A grande mídia espalha aos quatro ventos as maravilhas dessas lâmpadas compactas, mas não revela a verdade por trás disso.

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